Monday, May 6, 2019

PT -- Manlio Dinucci -- A Arte da Guerra -- A LOCOMOTIVA USA DA DESPESA MILITAR MUNDIAL


A Arte da Guerra
A locomotiva USA da despesa militar mundial
Manlio Dinucci 


A despesa militar mundial – segundo as estimativas publicadas pelo SIPRI,  em 29 de Abril - ultrapassaram os 1.800 biliões de dólares, em 2018, com um aumento em termos reais de 76% em relação a 1998. De acordo com esta estimativa, a cada minuto gasta-se cerca de 3,5 milhões de dólares em armas e exércitos em todo o mundo. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos com uma despesa, em 2018, de 649 biliões. Este número representa o orçamento do Pentágono, incluindo operações militares no estrangeiro, mas não a totalidade da despesa militar dos EUA.

De facto, juntam-se outros elementos de carácter militar.

Ø  O Departamento dos Assuntos dos Veteranos, que é responsável pelo pessoal militar aposentado, teve um orçamento de 180 biliões de dólares, em 2018.
Ø  A comunidade dos Serviços Secretos, composta de 17 agências (das quais a mais famosa é a CIA), declara um orçamento de 81,5 biliões, que, no entanto, é só a ponta do iceberg dos gastos reais para operações secretas. 
Ø  O Departamento de Segurança Interna gastou 70 biliões em 2018, sobretudo para “proteger, com o serviço secreto, a nossa infraestrutura financeira e os nossos dirigentes mais destacados”.
Ø  O Departamento de Energia gastou 14 biliões, correspondendo a metade de seu orçamento, para manter e modernizar o arsenal nuclear.

Tendo em conta estes e outros assuntos, a despesa militar dos EUA, em 2018, chega a cerca de 1 trilião de dólares. Como despesa per capita, é equivalente a 3.000 (três mil) dólares  por habitante dos Estados Unidos.

A despesa militar é a causa primordial do défice federal,  que subiu para 1 trilião de dólares e prossegue em aumento acentuado. Juntamente com outros factores, ela  faz aumentar a dívida pública dos EUA que, em 2019, subiu para mais de 22 biliões de dólares, com juros anuais de 390 biliões, que dobrarão em 2025. Esse sistema é baseado na hegemonia do dólar, cujo valor é determinado não pela  capacidade económica real dos EUA, mas, pelo facto de ser a principal moeda das reservas cambiais e dos preços das matérias primas internacionais. O que permite à Federal Reserve imprimir milhares de biliões de dólares com os quais a colossal dívida pública dos EUA é financiada através de obrigações e outros títulos emitidos pelo Tesouro.

Dado que a China, a Rússia e outros países questionam a hegemonia do dólar - e com ela, a ordem económica e política dominada pelo Ocidente - os Estados Unidos jogam cada vez mais a cartada da guerra, investindo 25% de seu orçamento federal na máquina de guerra mais cara do mundo. A despesa militar dos Estados Unidos tem um efeito impulsionador sobre as dos outros países, que, no entanto, permanecem em níveis muito mais baixos.

Ø  A despesa da China é estimada pelo SIPRI em 250 biliões de dólares, em 2018, embora o número oficial fornecido por Pequim seja de 175.
Ø  A despesa da Rússia é estimada em 61 biliões, mais de 10 vezes menor do que a dos EUA (comparada apenas com o orçamento do Pentágono).
Ø  De acordo com as mesmas regras, sete países da NATO - EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Canadá e Turquia - respondem juntos, por cerca de metade das despesas militares do mundo.
Ø  A despesa militar italiana, que subiu em 2018 do 13º para o 11º lugar no mundo, é estimada pelo SIPRI em 27,8 biliões de dólares.

Assim, a estimativa é substancialmente confirmada, incluindo outros assuntos além do orçamento da Defesa, que a despesa militar italiana totaliza 25 biliões de euros por ano, sempre a subir. Isto significa que, num ano, se dissipa já hoje em despesa militar (de acordo com as previsões),  o equivalente a quatro anos de receita da cidadania.

Seguindo as pegadas dos EUA, foi decidido agora um forte aumento contínuo. Agora, a maior “receita da cidadania” é a da guerra.

il manifesto, 7 de Maio de 2019 



DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
CRIANDO UMA FRENTE INTERNACIONAL DESTINADA À SAÍDA DA NATO
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com

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